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sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Depoimento - Lake Tahoe - II

Sei que ano passado cheguei em uma festa, tudo muito bem, diversão, piadinhas, cerveja. Nessa festa encontrei um amigo meu, Bernardo, que me disse que no final do ano ia pros EUA, Califórnia, pra ser mais exato, região de Lake Tahoe. Eu já precisava viajar, aprimorar o inglês e tava liso também. Ele ia com um grupo de amigos, todos de Recife, iam alugar uma casa e todos trabalhariam no mesmo canto. Melhor impossível, fui me entrosando com a idéia, falei com meus pais, sei que em duas semanas tinha pago o programa já. No começo houve um certo receito do grupo em me aceitar, porque eu tinha entrado por ultimo, com o bonde andando, mas depois de muita discussão, deu tudo certo.
Comecei a procurar meu emprego, na primeira tentativa, liguei pro Sugar Bowl Ski Resort, falei que estava indo com a galera de Recife. Pronto, ligado e feito, duas semanas depois estava eu com minha job offer e casa prontas, começaram as reuniões para conseguir o visto e estabelecimento das regras caseiras (da casa), mais discussões, logicamente, porém no final, tranquilo. O tempo se passou, e o dia da viagem chegando, a ficha caindo, despedidas, euforias, dia 4 de dezembro embarcamos todos juntos.
Começava aí a viagem mais legal das nossas vidas.

Chegando nos E.U.A
Dia 5 de dezembro chegamos em Reno/Nevada, aplicamos o social security e fomos pra Truckee, a cidadezinha da Califórnia onde iríamos morar durante pelo menos 4 meses. A cidade é pequena, de turismo mesmo, só tem vida ativa no inverno, onde os turistas freqüentam muito os resorts de ski, muitos latinos moravam lá, além dos americanos, europeus, e gente do resto do mundo. Perto da cidade ficavam as cidades em torno do Lake Tahoe (minha cidade ficava mais ou menos meia hora distante de lá), onde ficavam as boates mais populares, sem falar do reveillon de South Lake Tahoe, muito famoso no mundo todo.

Trabalho
No resort não era diferente, muita gente de todos os lugares e a minoria americana, sendo assim, todo mundo terminou se conhecendo, fazendo festas juntos, chegando no trabalho sem condições de trabalho, e sempre querendo trabalhar mais. Eu trabalhei de Rental Tech e Lift Operator, mas na minha casa teve gente que trabalhou no Hotel, na cozinha, de manager e por aí vai. Um mês depois de chegarmos na casa adotamos um americano, Nick, foi de grande ajuda pra quebrar os galhos gringos e pra ajudar todo mundo no inglês, em junho ele veio a Recife e ficou 2 meses aqui, achou tão bom que pretende se mudar pra cá. E digo mais, Recife é legal, mas enjoa.

Brasileiros enfrentam uma Black Diamond


No final das contas, eu estava muito amigo de todos, nunca admitiram, mas eu sei que a viagem teria sido muito mais triste sem mim. Sem, brincadeiras, eu sei que fiz uma outra família em Truckee, não só os recifenses, mas todo o povo de lá, que trabalhou comigo, que foi pras festas comigo, que entraram em roubadas comigo. Foi tão bom, que estou voltando agora, em dezembro pro mesmo canto, Sugar Bowl/Truckee/Califórnia/EUA, agora eu que estou levando amigos e indo atrás da casa e emprego pra eles.


Eu indico demais a região de Lake Tahoe, mais especificamente a cidadezinha de Truckee, pra mim foi inesquecível uma vez e tenho certeza que será novamente: só sei que foi a festa mais lucrativa que eu já fui.
Lucas tem 21 anos, de Recife/PE, estudante de Administração de Empresas

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Depoimento - Vail, CO

Escolhendo o Destino

Tive muita dúvida na hora de escolher, porque queria muito Vermont, mas como nada é fácil meus pais decidiram que só deixariam eu viajar se fosse pela opção Job Fair (que você é contratado em uma feira) e infelizmente na minha feira não rolou nenhum empregador de Vermont.

Então fui olhar as opções: Califórnia, Califórnia, Califórnia, que inferno!
Pra minha sorte, alguns Resorts do Colorado vieram e um da cidade Vail me interessou muito, por ser um Resort pequeno, não muito conhecido, por um amigo meu já ter ido pra lá e amado, empregadores super gentis, atenciosos, então escolhi esse: Sonnenalp Resort of Vail



Piscina do Sonnenalp, Vail, CO


Fiz entrevista, peguei a job offer, fui pro consulado e dia 5 de dezembro embarquei!

Depois de uma viagem MUITO cansativa (Recife-RJ-SP-NY-Dallas-Denver + 2h de carro pra Vail) finalmente tinha chegado, um frio absurdo, a cidade toda branca já, bem pequenininha, perfeita.

Trabalho


Primeiro noite, o “Welcome” do meu empregador foi sermos hóspedes nesse dia. Então foi só glamour, jantar de graça, serviço de quarto, banho de banheira, roupão, chinelinhos e uma das melhores camas que eu já dormi na minha vida.
Voltando à vida real no outro dia, fizemos orientação e fomos ter, cada um, uma conversa particular com a chefe do Recursos Humanos. Então aí começa o meu drama, ela vira e diz: “Júlia, você meio que tá sem função, nós íamos lhe colocar no nosso condomínio, mas não estamos mais trabalhando com o antigo porque estamos construindo um novo...bla, bla, bla.”

E a solução?
A solução foi eu ser entrevistada pelo chefe do restaurante mais casual do hotel, o Bully Ranch, e vê se ele me aprovava e me dava o emprego que ela tava querendo.
Só esqueceram de me avisar que esse tal chefe era o cara mais lindo que já tinha visto, ta sem exageros, mas era lindo, então já bateu nervosismo, comecei a entrevista ótima, quando ele virou e perguntou se eu tava pronta pra assumir a porta do restaurante mais “busy” do hotel, eu comecei a gaguejar, ficar errando no inglês e terminei deixando ele com o pé atrás. Ficou de pensar, conversar com Kathy (gerente do RH) e me dá uma resposta.

Passado todo o susto, terminei caindo de Hostess na “bolha americana” do meu hotel, todo mundo quando sabia que eu ia pra lá me dizia isso, que eles não eram receptivos, que não ia ninguém de fora pra lá, fizeram o terror.
E quando cheguei foi de cara isso mesmo, o bartender era um grosso, no meu primeiro dia já queria que eu soubesse carregar bandeja bem, o meu chefe mal falava comigo, deixou uma outra menina me orientando e um dos garçons já tinha começado a implicar, reclamando do inglês, do serviço, de tudo.

Então veio a primeira cagada, saiu o meu horário da semana e eu olhei: “ótimo, quarta e domingo de folga”, Quarta-Feira fiz programações com a minha roomate, tudo ótimo, umas 21h quando tava na lavanderia do alojamento falando com os meus pais o tal garçom implicante aparece e pergunta porque eu não tinha ido trabalhar, aí eu: “como assim? Eu tô de folga hoje!”, então quem diria ele se ofereceu pra me levar de carro no hotel, pra eu não perder tempo esperando o ônibus, então lá fui eu me explicar, já entrei com cara de choro no restaurante mas lembrei que não tava no colégio então SEM CHORÔRÔ, quando olhei pro meu chefe, aquela cara de decepção, ele me pergunta o que aconteceu que eu arrumasse um celular urgente porque ele até pensou em me ligar mas não tinha telefone nenhum e que eu fosse pra casa mesmo, que tava tudo bem
.

Breakfast Staff no Sonnenalp Resort of Vail

Merda feita, move on, a primeira semana se passou e eu entrei em pânico de novo, só tava trabalhando no MÁXIMO 5h por dia, não ia fazer dinheiro nem pra pagar aluguel. Foi quando meu chefe veio me perguntar se tava gostando e eu disse que tava adorando porém que tava trabalhando muito pouco e que sabia que o café-da-manhã tava precisando de ajuda porque algumas amigas minhas trabalhavam lá e tinham me dito, no mesmo momento ele chama o gerente do café e me apresenta, alguns minutos de conversa e ele me diz que no outro dia eu já começava a trabalhar.

Eu voltei toda feliz pra casa, “eba segundo emprego e ainda no mesmo hotel, vou ganhar muito com hora extra”, eu nem sabia que esse tão desejado café-da-manhã ia se tornar o meu inferno astral da viagem inteira.

Atualizando a minha nova rotina: Busser no Café-da-manhã e Hostess no jantar, que significava acordar as 5h da manhã e ir dormir quase meia-noite, isso quando não tinha festinha ou quando simplesmente não resolvia ficar conversando com os meus roommates, pois todos só trabalhavam a noite.

Ano novo, dia de comemoração no Brasil, lá pra mim eu ia enfrentar um dia longo, que acho que depois dele só a Páscoa me deixou tão cansada. Acordei as 5h pra trabalhar no café e como era dia especial saímos bem tarde, quase umas 14h, cheguei em casa tomei banho coloquei a outra roupa e fui trabalhar na festa, porque uma amiga minha me indicou pra trabalhar pro “banquets” ( banquets = muito dinheiro em um noite só), entrei as 17h, cheguei em casa as 2h da manhã, cochilei até as 5h da manhã, fui pro Café, saí de novo quase meio da tarde, cheguei em casa, chorei de dor nos pés, coloquei na água quente, tomei banho e fui pro trabalho da noite, de Hostess. No outro dia tive folga, ufa!


No começo eu chegava a até ter 3 folgas no café-da-manhã com as minhas duas da noite, ficava tranqüilo, porque meu chefe não queria que eu fizesse muita hora extra.
Mas a temporada foi começando a pegar, final de fevereiro começo de março o pessoal que não queria perder o semestre na faculdade foi indo embora e eu fiquei.
Então a nova rotina era, uma folga no café e as duas da noite, correndo os risco de uma delas ser cancelada.



Páscoa, foi algo parecido com Ano Novo, entrei as 6h, saí as 16h da tarde, porque lá eles fazem um Brunch, voltei pro trabalho da noite as 18h e só saí umas 23h.
Foi cansativo, 4 meses mais cansativos acho que não vou ter nunca, nunca pensei que podia ser tão boa carregando uma bandeja (bandejão também), tomando conta da porta de um restaurante que tinha lista de espera de 1:30h, que podia arrumar uma mesa tão rápido e que podia bater o recorde de copos quebrados (hehehe), porém tudo foi válido, conheci desde o Dishwasher até o Diretor de Alimentos e Bebidas, fiz o meu trabalho da melhor maneira possível e deixei portas abertas, tanto que estou voltando esse ano.











Júlia com os brasileiros no X-Games, Aspen





Cidade


A cidade é linda, movimentadíssima, tem tudo e é a 2h de Denver, cidade melhor ainda.
Vail, Avon e Beaver Creek são três cidades coladíssimas e quem vive nelas ta sempre de uma pra outra, o transporte dentro das cidades é gratuito e de uma pra outra custa 6 dolares ida e volta, porém você pode comprar uns pacotes.. Avon é onde tem Wall-Mart, e grande parte do pessoal mora, Vail tem as baladas (SandBar, 8150, Tap Room, noite Brasil x Argentina, não fui em nenhuma, não quis arriscar e fazer ID falsa), as lojas, a maior concentração de hotéis, restaurantes e eventos, Beaver Creek tem a pista de patinação, comércio também e fora essas três principais tem Keystone que tem o tão famoso Ski Noturno, Glenwood Springs onde tem o piscinão de ramos, uma piscina aquecida gigante, ao ar livre, dentre tantas outras cidades.

E uma última dica, se você for pra qualquer estação de Ski, não deixe de fazer Tubbing, que é descer uma parte da montanha de bóia e pode descer em grupo, muito bom, divertido, vale muito a pena.

Dicas Finais:
Mesmo que você seja estudante de Medicina e pense que não vai servir de nada aprender a arrumar um quarto, uma mesa ou carregar uma bandeja, se dedique ao máximo, tente fazer o melhor, não tenha vergonha de dizer que não sabe, cuidado com o inglês, não se esqueça que é um ambiente de trabalho, não abuse dos privilégios que o seu hotel vai lhe dar, as vezes uma besteira pra gente é algo grande pra eles, lembre de todas essas coisa que “toda mãe” sempre diz, elas tão certíssimas, só vão te trazer ótimas relações e quem sabe oportunidades futuras.




Júlia tem 20 anos, é de Recife/PE, estudante de Relações Internacionais

Depoimento - Lake Tahoe

E ai galera.. to aqui pra falar um pouquinho sobre minha temporada nos Estados Unidos, durante meu período de férias em 2005. Saí do Brasil com meu emprego certo já: caixa no restaurante de Alpine Meadows, Lake Tahoe – Califórnia.


Pra quem não conhece, Lake Tahoe é uma região muito badalada e super procurada pelos brasileiros. Além de ser uma área onde existem muitos resorts e estações de ski, Lake Tahoe é muito conhecido pelas festinhas que rolam por lá.




Pri com a galera trabalhando em Alpine Meadows




Trabalho
Com sinceridade no começo foi bem complicado. Por ser uma região onde o frio não é predominante, quando cheguei em Tahoe City, na companhia de mais algumas brasileiras que também trabalhariam em Alpine, ouvimos dizer que as poucas pessoas que já haviam chegado estavam com dificuldade pra trabalhar devido à escassez de neve.


Nessa hora, o desespero bateu e a vontade de voltar pra casa foi enorme. Mas a gente logo se acalmou e depois de uma conversa com nosso chefe, ficamos cientes que trabalharíamos sim. Uns, talvez, com algumas horas a menos que outros. Mas nada que nos fizessem voltar atrás.
Meu trabalho era muito tranqüilo. Tive umas instruções básicas sobre como usar um programa pra computar as refeições e depois era só fazê-las. Certos dias na semana tinha que acordar bastante cedo pra que organizasse o restaurante antes dele ser aberto. Outras vezes demorava mais a sair porque tinha que fechá-lo. Mas nunca era muito complicado porque sempre trabalhava muita gente comigo e meu chefe estava sempre por perto me oferecendo ajuda, caso eu precisasse.


Depois de algum tempo, eu já fazia tudo de olhos fechados. A dor mesmo foi na hora de ir embora. Eu adorava meu trabalho. Além de super divertido, fiz amizades que mantenho até hoje. Pessoas do mundo todo vinham me fazer perguntas sobre o Brasil. Meu boss me prometeu que viria nos visitar. E a gente ainda recebia uma refeição e podia esquiar sem pagar nada.

Second Job


Como eu quis juntar mais uma grana pra fazer umas compras, resolvi arrumar um segundo emprego. Procurei bastante porque muitos empregadores já não estavam mais contratando. Tanto insisti que apareceu uma vaga numa loja de roupas em outra estação de ski da região.
Squaw Vally Clothing Company era uma loja de roupas de frio para homens, mulheres e crianças.



A loja era pequena e ficava no village de Squaw Valley. No começo também tive certa dificuldade porque não sabia os nomes das roupas. Muitas vezes as pessoas me pediam roupas que eu não sabia nem que existia e ficava sem entender absolutamente nada. Ahahahha Mas com o tempo fui aprendendo também. Tanto que com poucos dias eu já trabalhava sozinha na loja. Era a responsável por abrir a loja, contar o dinheiro, atender clientes, dobrar roupas, efetuar as compras no computador, embalar as compras, organizar a loja, varrer o chão, limpar os vidros e fechar o caixa. Claro que a gente acaba acostumando mas no início foi um pouco assustador.


Marcela (Recife), Camila (Fortaleza) e Priscila (Recife), fazendo snow em Alpine


Tahoe City
Sem dúvidas, Tahoe city é uma cidade encantadora. As lojinhas e restaurantes na Av. principal são lindas demais. Além de ter as montanhas e um lago perfeito (e quase congelado) como paisagem. Mas é bastante pequena. O centro da cidade, onde se localiza a parte comercial é praticamente uma avenida só. As casas ficam em ruas menores. Essas lojas e restaurantes também são uma boa opção para o second job.


A biblioteca da cidade nos permite o aluguel de livros, CDS e DVDS e usufruto da Internet sem pagar nada. Basta chegar e esperar a longa fila de brasileiros que estão ali pelo mesmo motivo que você: diminuir as saudades e dar noticias às famílias.


O TART era nosso meio de transporte mais usado, mas também era considerado ponto de encontro entre todos os moradores da cidade. Principalmente em determinados horários. O ticket se eu não me engano era U$S1.50. Mas a maioria dos empregadores nos davam um cartão que nos permitia andar de graça.


Os ônibus, geralmente conduzidos por motoristas um tanto quanto toscos, tinham seus horários e paradas certas. O primeiro passava às seis horas da manhã e o último às cinco da tarde. A cada uma hora passava pelas paradas. E coitado daquele que chegasse um minutinho sequer atrasado no bus stop: ou esperava por uma hora ou botava o polegar pra fora do casaco pra pedir carona. E não eram poucas as vezes que isso acontecia.


O mais complicado era fazer compras. Tive sorte porque morei há uns 15 minutos (a pé) do
supermercado e podia ir andando e ainda levar o carrinho pra casa. Mas pra quem morava longe tinha que fazer as compras nos horários em que ainda os TART’s circulavam pela cidade.


Road Trip

Como consegui juntar uma grana, resolvi conhecer a Califórnia com uns amigos. Alugamos um
carro durante uma semana e seguimos viagem. Éramos seis num carro pra oito. No lugar das outras duas pessoas ficaram nossas bagagens e compras. Conhecemos Las Vegas, Grand Canyon, Los Angeles, São Francisco e todas as outras praias californianas. O legal é que nossa road trip ficou super em conta porque nos seis tínhamos o mesmo objetivo de não gastar muito na viagem. Então economizamos: procuramos apenas por hotéis simples, baratos e sem muito luxo. Apenas um lugar pra descansar nos turnos das noites. Resolvemos também que dormiríamos algum dia dentro do carro e não tivemos problemas com isso.


Conhecemos de tudo um pouco e com certeza foi uma viagem inesquecível para todos nós.
Depois ainda dei uma passadinha em Miami. Me hospedei na casa de Caio (este aqui do blog!) e ainda sobrou dólar pra comprar bastante coisa.


Foram inúmeras as brazilian’s partys, as amizades, as despedidas, os passeios e as aventuras.
De tudo isso que vivi nos Estados Unidos durante esses quatro meses, o mais válido foi com toda certeza a experiência e responsabilidade que adquiri. Passamos por muitas coisas por lá. Lidamos com pessoas que nunca vimos na vida e que têm hábitos, costumes, culturas e crenças totalmente diferentes dos nossos. Falamos uma língua que por mais que dominemos, não é a nossa. E vivemos num país onde os valores são diferentes. É preciso ser responsável e maturo o suficiente pra viver um Work Experience num país diferente do seu.


Mas uma coisa é certa: se você souber aproveitar seu tempo e lidar com as situações, sua vontade será igual a minha. De voltar à esse país estranho e viver tudo de novo.

Priscila tem 20 anos, de Recife/PE, estudante de Publicidade e Propaganda

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Depoimento - Spokane, Washington

Opa pessoal, vou falar um pouco sobre minha experiência de trabalho nos Estados Unidos durante minhas férias do ano passado. Escolhi uma vaga no Hotel Doubletree , em Spokane, Washington como housekeeper (camareiro).



Panorama de Spokane no inverno

Trabalho
O trabalho parecia pesado no início mas com o tempo acostuma e ganha-se prática ao fazer as camas, limpar os banheiros, aspirar o quarto, limpar espelhos e vidros, substituir toalhas e outros produtos, ouvir pedidos nos corredores, estocar o seu carro e muito mais. Não quero assustar, hahaha, pelo contrário você faz isso tudo e nem percebe, apenas no início que o cansaço é muito grande e você clama por um day off. Aprendemos a conviver com pessoas de diferentes lugares e fomos apresentados a uma nova cultura, desenvolvemos o inglês (língua comum dentre tamanha diversidade de nações), amadurecemos com novas responsabilidades longe de casa, lidamos com situações difíceis e aproveitamos bastante as nossas férias enquanto não estávamos trabalhando.

É importante lembrar que o WorkExperience, Work and Travel ou WorkUSA, não importa o nome e sim dizer que esse programa para os universitários em período de férias é sim uma oportunidade de trabalho no exterior que deve ser levada a sério. Os empregadores são reais, as responsabilidades são reais e a cobrança também. Pelo que sei e pude comprovar muitos confundem e pensam que são na verdade férias pagas e que o trabalho não deve ser levado a sério, ledo engano. Seu "chefe" não vai querer saber disso.

Hotel Doubletree, local de trabalho


Durante os 3 meses que estive lá muitas coisas aconteceram, boas ou ruins, que vieram sempre a somar e trazer mais experiência para nós. Por muitas vezes o Schedule semanal não vinha com a quantidade de horas prometida, reclamamos e o nosso supervisor ofereceu uma mudança para outra cidade com a garantia dessa vez do cumprimento das horas de trabalho. Preferimos ficar, pois já estávamos ambientados com a cidade e partimos para o segundo emprego, alguns para o terceiro e quarto, sem muitas dificuldades.

Second Job
Além do Doubletree, trabalhei ainda numa loja de fast-food chamada Jack in The Box, outra experiência bem legal já que os funcionários eram jovens em sua maioria e o clima era descontraído porém o trabalho era bem pesado também. Fora os problemas, aproveitamos bastante o novo ambiente, neve e muito frio, -20C.

Second Job no Jack in The Box

Sobre a cidade
Em Spokane existem muitos lugares onde você pode ir comer de graça, ou pegar um bom casaco de frio, opções mais baratas para quem não queria gastar dinheiro e sim trazê-lo para fazer uma nova viagem, como eu. Há também lojas de roupas usadas como o Value Village, Good Will e outras, que inclusive existem por todos os Estados Unidos. Com o Social Security em mãos abrimos uma conta no Bank of America como estudantes e não pagamos nada, conta que tenho até hoje e me aguarda com uma boa quantia proveniente dos meus últimos paychecks.


A cidade possui bibliotecas por toda cidade onde com um rápido cadastro recebi meu cartão com um número de identificação e pude acessar a internet durante 1 hora todos os dias e se quisesse o empréstimo de livros, CDs ou DVDs também seria possível. As bibliotecas públicas são uma oba opção para quem não possui ou não pretende comprar um laptop assim que chegar lá, para quem pretende é bastante vantajoso já que em qualquer esquina encontra-se um hot spot com acesso wireless à internet.


Alimentação

A comida é um problema, já que comida de qualidade comparada com a nossa praticamente não existe e quando encontramos é relativamente cara, então passamos esse tempo aproveitando o bom almoço que o hotel nos oferecia quando estávamos no trabalho e fora dele atacávamos os fast-foods, casas que oferecem refeições gratuitas (nesse tipo de lugar é possível encontrar todo tipo de gente, então não se assuste), Miojo e Cup noodles. Sempre pegávamos o ônibus e visitávamos o WalMart que possui as melhores promoções, 10 miojos 1 dólar. Lá também é possível encontrar de tudo com um preço bastante acessível.


Grace Period

Bom, acho que já descrevi suficiente a minha experiência para que todos se sintam encorajados de largar o conforto das suas casas aqui no Brasil e encarar 3 a 4 meses de férias e trabalho no exterior que valem muito a pena. Passei por Atlanta, Salt Lake City, e Spokane. Recomendo a todos visitarem Atlanta pois é um lugar com diversos pontos turísticos interessantes, como o prédio da CNN com a possibilidade de um tour por 15 dólares, e o prédio da Coca-cola que disponibiliza uma viagem a história da empresa de refrigerantes mais famosa do mundo por 9 dólares, se não me engano, com direito a experimentar todos os refrigerantes da marca ao redor do mundo, além da possibilidade de levar lembranças com a loja no final do passeio interno. Além de uma passagem no Underground Atlanta.

Chegando em ATL vocês vão conhecer o metrô Marta que liga praticamente toda a cidade, uma cidade bem bonita, apesar de parecer fantasma, já que pelo menos enquanto estávamos lá durante o inverno, praticamente ninguém nas calçadas era visto, apenas os carrões comuns em clipes de Hip-hop. Recomendo Spokane também, morei lá por três meses e é uma cidade muito agradável, com bons locais para lazer, boas oportunidades de trabalho e boa localização por estar ligeiramente próxima de locais como Seattle no próprio estado e cidades de Idaho e Montana.

Por mais é isso! Boa viagem a todos, se resolverem visitar Spokane estarei por lá, caso não haja problemas com a emissão do meu visto.

Danilo - Salvador/BA